{"id":2663,"date":"2014-01-02T10:13:39","date_gmt":"2014-01-02T10:13:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.subverso.es\/?p=2663"},"modified":"2014-04-28T07:50:05","modified_gmt":"2014-04-28T07:50:05","slug":"ser-criador-de-si-em-tempos-de-copias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.subverso.es\/?p=2663","title":{"rendered":"Ser criador de si em tempos de c\u00f3pias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><a href=\"http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto+%282%29.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2664\" alt=\"foto+%282%29\" src=\"http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto+%282%29.jpg\" width=\"567\" height=\"566\" srcset=\"http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto+%282%29.jpg 567w, http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto+%282%29-290x290.jpg 290w, http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto+%282%29-330x330.jpg 330w, http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto+%282%29-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-2665\" alt=\"foto\" src=\"http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto.jpg\" width=\"196\" height=\"196\" srcset=\"http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto.jpg 567w, http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto-290x290.jpg 290w, http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto-330x330.jpg 330w, http:\/\/www.subverso.es\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/foto-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"right\">\u201cEis a\u00ed um artista como aprecio: modesto em suas necessidades. S\u00f3 quer efetivamente suas coisas: seu p\u00e3o e sua arte, &#8211; <i>panem et circen\u201d.<\/i> NIETZSCHE, Friedrich<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>In\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Imagino como a posteridade pensar\u00e1 nosso presente. De uma coisa n\u00e3o duvido: eles n\u00e3o nos esquecer\u00e3o. Mas n\u00e3o num bom sentido. Eternizaremo-nos por nosso estilo de vida do desperd\u00edcio, n\u00e3o por nossas obras imortais e pensamentos inovadores.<\/p>\n<p>N\u00e3o entendo como se d\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o dos tempos. Parece que tudo foi acontecendo de forma gradual, desde o surgimento do homem ao desenvolvimento de suas civiliza\u00e7\u00f5es. Mas, num \u00e1pice, ele se transformou. Em um s\u00e9culo formulou um modelo de vida terrivelmente superficial que destr\u00f3i nosso sustent\u00e1culo no mundo, nosso planeta, a cada instante.<\/p>\n<p>Num \u00e1pice. Anos 20, o aumento da produ\u00e7\u00e3o ocasionou a queda dos pre\u00e7os dos produtos. Isso fez com que as pessoas passassem a consumir n\u00e3o por necessidade, mas por divers\u00e3o. \u00c9 ent\u00e3o que come\u00e7a a se perpetuar a ideia de que o ato de comprar traz contentamento. Avan\u00e7ando um pouco mais nessa linha cronol\u00f3gica, nos anos 50 passa-se a usar da publicidade a fim de seduzir o consumidor e fomentar o mercado. O fetichismo \u00e9 ent\u00e3o inserido, impulsionando o desejo pelo novo, pelo melhor, por aquilo que n\u00e3o foi adquirido.<\/p>\n<p>Passa-se a atribuir valor \u00e0s novas inven\u00e7\u00f5es, todo o resto se torna obsoleto. Movidos pela velocidade da p\u00f3s-modernidade e pelo anseio em ter seus desejos satisfeitos, consome-se tudo, freneticamente, buscando, naquele ato, uma distin\u00e7\u00e3o, um al\u00edvio, um sentido.<\/p>\n<p>Engra\u00e7ado que um Plat\u00e3o p\u00f3s-moderno talvez dissesse que a l\u00f3gica desse sistema faz sentido. Afinal, a felicidade, para Plat\u00e3o, estaria numa realiza\u00e7\u00e3o sequencial de todos os desejos inatos de cada pessoa. Se desejo comprar e concretizo esse desejo, logo sou feliz. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Esse desejo de consumir mais que o necess\u00e1rio n\u00e3o nasce conosco. Ele \u00e9 constru\u00eddo socialmente (como tudo em sociedade).<\/p>\n<p>Nietzsche j\u00e1 se preocupava: \u201cComo fazer no bicho-homem uma mem\u00f3ria? Como gravar algo indel\u00e9vel nessa intelig\u00eancia voltada para o instante, meio obtusa, meio leviana, nessa encarna\u00e7\u00e3o do esquecimento?\u201d\u00b9. Faz-se necess\u00e1ria uma reforma cultural? N\u00e3o nego que movimentos contracultura s\u00e3o bem-vindos, apesar de estarem cada vez mais enfraquecidos (n\u00e3o \u00e0 toa). At\u00e9 porque eles s\u00e3o a afirma\u00e7\u00e3o de que existem pessoas que destoam dessa uniformiza\u00e7\u00e3o social que sempre se fez presente desde que [supostamente] decidimos viver em rebanho.<\/p>\n<p>\u00c9 como se uma autonomia absoluta n\u00e3o existisse. Isso porque estruturamos nossa vida em um alicerce de valores morais que delimitam todas as nossas a\u00e7\u00f5es. Esses valores nada mais s\u00e3o que a denega\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia do tempo e da finitude, da experi\u00eancia da morte. Como se para sobreviver se fizesse necess\u00e1ria a inven\u00e7\u00e3o de leis, valores morais, ultra mundos, finais escatol\u00f3gicos, sentidos absolutos para a vida, vida eterna, conceitos [banais] de felicidade, etc.<\/p>\n<p>Temos at\u00e9 a ideia de Nietzsche, no livro \u201cAssim falou Zaratustra\u201d, em que ele retratou a quest\u00e3o do super-homem (ou al\u00e9m-do-homem) que, no meu entendimento simplista, \u00e9 um homem que se supera, que se inventa no presente.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 nossa maior luta. N\u00e3o d\u00e1 para viver sozinho, nem construir outro mundo. \u00c9 esse o mundo que existe, portanto, \u00e9 nele que devemos nos (re)formular e (re)elaborar a cada instante. Saber lidar com o choque entre a singularidade de cada indiv\u00edduo versus a padroniza\u00e7\u00e3o existente \u00e9, talvez, nosso maior desafio. Chegar a ser um processo criativo.<\/p>\n<p>A sociedade de consumidores nos dita a forma para ser feliz. Uma f\u00f3rmula que resulta na simples manuten\u00e7\u00e3o da vida, visando uma felicidade ef\u00eamera. N\u00e3o h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o por n\u00e3o haver confronto contra aquilo que j\u00e1 est\u00e1 posto. Foi por isso que decidi me tornar artista. Artista da minha pr\u00f3pria vida. Se todos assim o fizerem, talvez consigamos eliminar as pragas de nosso cultivo para que n\u00e3o nos envergonhemos, no futuro, de quem fomos. Quem sabe criar uma cultura diferente. Mas, para isso, \u00e9 preciso criar-se a si mesmo, continuamente&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00b9 NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEis a\u00ed um artista como aprecio: modesto em suas necessidades. S\u00f3 quer efetivamente suas coisas: seu p\u00e3o e sua arte, &#8211; panem et circen\u201d. NIETZSCHE, Friedrich &nbsp; &nbsp; In\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Imagino como a posteridade pensar\u00e1 nosso presente. 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